sábado, 21 de Novembro de 2009

Em Ano Sacerdotal,
É salutar recordar o que distingue o sacerdócio ministerial do sacerdócio comum dos fieis, no que toca às promessas da ordenação sacerdotal. A propósito, reproduzo a carta de Mário Piacenza, remetida para a minha caixa de correio electrónico e que considero oportuna.
"Prometes filial respeito e obediência a mim e aos meus sucessores?”

(Pontificale Romanum 1990).
Caríssimos irmãos no sacerdócio,
Ainda que não estejam vinculados pelo voto solene de obediência, os ordinandos fazem a promessa de “filial respeito e obediência” ao próprio Bispo e aos seus sucessores. Se, por um lado, é diferente o estatuto teológico entre um voto e uma promessa, idêntico é o compromisso moral definitivo e total, idêntica é a oferta da própria vontade à vontade de um Outro: à vontade Divina, eclesialmente mediada.
Num tempo como o nosso, fortemente marcado pelo relativismo e pelo democratismo, com vários autonomismos e libertarismos, parece ser sempre mais incompreensível uma tal promessa de obediência. Normalmente é concebida como uma diminutio da liberdade humana, como um perseverar em formas obsoletas, típicas de uma sociedade incapaz da autêntica emancipação.
Nós, que vivemos a obediência autêntica, bem sabemos que não é assim. A obediência na Igreja não é contrária à dignidade e ao respeito da pessoa e não deve ser concebida como uma subtração de responsabilidade ou como uma alienação.
O Ritual latino utiliza um adjetivo fundamental para a justa compreensão de tal promessa. Define a obediência somente depois de ter inserido o “respeito”, devidamente adjetivado com “filial”. Ora, o termo “filho” em todas as línguas é um nome relativo, que implica a relação entre o pai e o filho. Justamente neste contexto relacional deve ser compreendida a obediência que um dia prometemos. O pai, neste contexto, é chamado a ser realmente pai, e o filho, a reconhecer a própria filiação e a beleza da paternidade que lhe é doada. Tal como informa a lei natural, ninguém escolhe o próprio pai e, da mesma forma, ninguém escolhe os próprios filhos. Somos, portanto, todos chamados – pais e filhos – a ter uma visão sobrenatural, de grande misericórdia recíproca e de grande respeito. Trata-se de ter a capacidade de olhar ao outro tendo presente o Mistério bom que o gerou e que sempre, ultimamente, o constitui. O respeito é, em linha de máxima, simplesmente este: olhar a alguém tendo presente a um Outro!
Só em um contexto de “respeito filial” é que se torna possível uma autêntica obediência, que não será apenas formal, mera execução de ordens, mas apaixonada, completa, atenta e capaz de gerar frutos de conversão e de “vida nova” naquele que a vive.
A promessa é feita ao Bispo do tempo da Ordenação e aos seus “sucessores”, justamente porque a Igreja procura evitar os excessos personalistas. Coloca no centro a pessoa, mas não os subjetivismos que desvinculam da força e da beleza – histórica e teológica – da Instituição. Também na Instituição, que é de origem divina, habita o Espírito Santo. A instituição é, por sua própria natureza, carismática e, neste sentido, estar livremente ligada a ela, no tempo (sucessores) significa poder “permanecer na verdade”, permanecer n’Ele, presente e operante no seu corpo vivo que é a Igreja, na beleza da continuidade temporal, no passar dos séculos, que nos une indivisivelmente a Cristo e aos Apóstolos.
Peçamos à Ancilla Domini – que é a obediência por excelência, Aquela que também na fatiga exultou dizendo: “Eis-me aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra” – a graça de uma obediência filial, plena, alegre e pronta; uma obediência que nos livre de todo protagonismo e que possa mostrar ao mundo que é realmente possível doar tudo a Cristo e ser plenamente realizados e autenticamente homens. (Mauro Piacenza)



segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Papa publica normas para o regresso dos anglicanos

Bento XVI publicou esta Segunda-feira a Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus, que apresenta as normas para o regresso dos grupos anglicanos à Igreja Católica, assim que os mesmos o solicitem.
O documento fora anunciado no passado dia 20 de Outubro pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal William Levada, que falou em “numerosos pedidos” de grupos de clérigos e fiéis anglicanos que desejam “entrar em comunhão plena e visível” com Roma.
O documento do Papa introduz uma estrutura canónica que possibilita uma “reunião corporativa”, estabelecendo ordinariatos pessoais. Os grupos anglicanos poderão assim preservar os seus elementos particulares de liturgia e espiritualidade.
Segundo o teor da Constituição Apostólica, a vigilância e a condução pastoral para os grupos de fiéis que peçam a entrada na Igreja Católica será assegurada por um ordinário próprio - aquele que é colocado à frente da comunidade -, por norma nomeado de entre o clero até então anglicano.
Este modelo prevê a ordenação de clérigos casados enquanto anglicanos como sacerdotes católicos. Por razões “históricas e ecuménicas”, estes padres casados não poderão ser ordenados Bispos.
Os ordinariatos pessoais serão instituídos segundo as necessidades” com prévia consulta às Conferências Episcopais locais, e as suas estruturas serão de algum modo semelhantes às dos ordinariatos militares - uma "diocese" que não corresponde a limites territoriais, como é habitual na Igreja Católica, mas tem jurisdição sobre uma comunidade específica distribuída por vários territórios.
O documento cita a encíclica Sacerdotalis Caelibatus, de Paulo VI (1967), em que se admitia “o estudo das condições peculiares de sacerdotes casados, membros de Igrejas ou comunidades cristãs ainda separadas da comunhão católica, os quais desejando aderir à plenitude desta comunhão e nela exercer o sagrado ministério, forem admitidos às funções sacerdotais”.
Bento XVI afirma que a regra será a admissão de “celibatários” como presbíteros, no futuro, embora admita que se possa solicitar a admissão de homens casados, “caso a caso”.
Quanto aos seminaristas, o Papa determina que sejam formados “juntamente” com os da Diocese, especialmente nas áreas doutrinais e pastorais, mas prevê que os futuros padres dos ordinariatos pessoais agora criados tenham uma formação no “património anglicano”.
A Congregação para a Doutrina da Fé publicou um conjunto de normas complementares, que irão guiar a implementação desta Constituição. Para o Vaticano, este documento de Bento XVI abre “uma nova avenida para a promoção da unidade dos cristãos”, assegurando, ao mesmo tempo, a “legítima diversidade” na expressão da fé comum.
É sublinhado que não se trata de uma iniciativa da Santa Sé, mas de um “resposta generosa do Santo Padre às legítimas aspirações destes grupos anglicanos”.
Quanto à possibilidade de admitir clérigos casados, explica-se que isso não significa uma mudança na disciplina da Igreja quanto ao “celibato” dos padres. (tirado da Agência Ecclesia)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

http://www.cancaonova.com/portal/canais/entrevista/entrevistas.php?id=961

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Fwd: Testemunho directo, de quem se cruzou com Saramago.

"De: Fernanda Leitão


SEM COMPLEXOS NEM PRECONCEITOS


Seguramente, foi em 1959 que assentei arraiais na Brasileira do Chiado, no grupo pontificado por Tomaz de Figueiredo, Jorge Barradas, Abel Manta e Almada-Negreiros, onde fui dar pela mão de artistas plásticos cujo vasto atelier passou a ser, também, meu poiso habitual. Meu e de muitas outras pessoas.

Em tardes de inverno, com a lareira acesa e tomando chá, por ali passava a dizer poemas Vasco Lima Couto e, a inundar o espaço com a sua voz inesquecível, Eunice Muñoz. Gente do teatro, do cinema, da música, das artes plásticas, do jornalismo, das letras, ali conviviam com serenidade e gosto.

A escritora Isabel da Nóbrega começou a ser habitual e depressa se tornou uma amiga dos donos do atelier. Senhora de bom berço e fino trato, inteligente e culta, bem instalada na vida, caíu numa cilada do demónio. Apaixonou-se por um zé ninguém, nem sequer bonito, muito menos simpático e bem educado, que olhava tudo e todos de nariz empinado, numa pseudo-superioridade de quem tem contas a ajustar com a vida, quezilento e muito chato. Falava como um pregador de feira e era intragável. Mas, em atenção à Isabel, lá íamos aturando o José Saramago.

Para mim, que sou péssima, foi ponto assente: aquele não a ia fazer limpa, era um depósito de ódio recalcado. Foi por isso que não me admirei nada quando o vi director do Diário de Notícias, a mando do Partido Comunista, onde, da noite para o dia, lançou ao desemprego 24 jornalistas, dos da velha escola, dos que escrevem com pontos e vírgulas, deixando-os, e às famílias, sem pão. Tambem não fiquei minimamente surpreendida quando soube que abandonou Isabel da Nóbrega, que tanto fez por ele, para alvoroçadamente casar com uma espanhola que foi freira e tem vastos conhecimentos no mundo da política e das letras. Para mim, estava tudo a condizer com a figura.

Cá de longe soube que publicava livros e vendia muito. Não me aqueceu nem arrefeceu, porque nunca li nada escrito por ele nem tenciono perder tempo com isso. Não me apetece, e está tudo dito. Nem o Nobel que lhe deram me impressionou, porque já vi o Nobel ser dado sem critério algumas vezes. Acho mesmo que o prémio está a ficar muito por baixo.

E agora, o homenzinho da Golegã a chamar nomes a Deus, a insultar a Bíblia nuns raciocínios primários de operário em roda de tasca. Dizem que o fez por golpe publicitário. Talvez. Acho que é capaz disso e de muito mais. No entanto, creio que, no meio do aranzel, apenas houve uma pessoa que lhe fez o diagnóstico certo: António Lobo Antunes, numa magistral entrevista dada à RTP, há dias, respondeu a Judite de Sousa, que o interrogava sobre as tiradas de Saramago, que essas vociferações contra Deus lhe tinham feito medo. E adiantou: "tenho medo de chegar à idade dele assim, sem senso crítico". Está tudo dito. É mais um como há tantos anciãos de tino perdido em Portugal. É deixá-lo andar. A mim tanto se me dá."








P Leia, responda, encaminhe, arquive electronicamente! Antes de imprimir, pense no ambiente!
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P.e Martins

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Tempo de profetas que ninguém poderá calar

Profetas não têm faltado na Igreja, e a incompreensão, em relação a eles, também não. Se na Igreja de Cristo há o fermento novo do apelo à conversão e à mudança interior, também resta nela o fermento velho que a impede de ser serva, neste tempo em que a luz de Cristo é ainda, para muita gente, o único pão da esperança. O Cardeal Martini, profeta a que não falta lucidez, coragem, sabedoria, amor à Igreja e aos homens e mulheres deste tempo, é, como bispo, um cristão humilde e consciente, que exerce o seu dever de promover a comunhão eclesial, com o profetismo do realismo e da esperança. Sempre houve gente de lugares cimeiros, não Bento XVI nem os seus predecessores, que o temeram, desconfiaram dele e puseram reservas públicas às suas intervenções, lúcidas, pertinentes e corajosas. Gente que, por certo, se sentiu aliviada, a quando da sua passagem a emérito. Porém, a doença progressiva não lhe apagou o dom que nele Deus outorgou à Igreja e à sociedade, nem as suas limitações de saúde, lhe limitaram o direito e o dever de discernir, criteriosamente, os sinais dos tempos e, em comunhão, ser profeta, numa Igreja em que todos se deviam sentir estimulados a exercer o profetismo que lhes é próprio, e de que muito necessita a Igreja e o mundo. Não falo do Cardeal Martini, por uma simpatia de última hora. Conheci-o de modo directo e de vivência, não meramente ocasional, ao longo de três sínodos, de vários simpósios, de encontros frequentes, por essa Europa fora, e pela leitura e reflexão atentas a que nos habituou nas suas intervenções orais e escritas. A Martini podemos juntar Hélder Câmara, que legou à Igreja um riquíssimo património profético, avalizado por um compromisso eloquente, ainda não entendidos. O momento histórico que a Igreja vive, obriga a caminhos novos aos já acordados para as urgências da fé esclarecida e do testemunho coerente, que não podem enredar-se em tradições e costumes que, não raro, sossegam o espírito e anestesiam a vontade. Sempre que se calam os profetas, proliferam os falsos profetas. A sementeira das seitas, os movimentos pseudo-religiosos que fazem da ignorância e da dor de muitos uma fonte de réditos, a onda de indiferença que atinge jovens e adultos, o descrédito programado que caiu sobre o casamento e a família, a carga pesada de tantas vidas que procuram, por vezes em vão, cireneus generosos e compreensivos, as incursões diárias nos meios de comunicação social para desvirtuarem a verdade cristã e que pugnam para impor sentimentos e opiniões falaciosas, a diminuição de vocações de consagração, tudo grita por um apelo a profetas corajosos e atentos e por um retorno urgente ao essencial. Mais parece, em muitas circunstâncias, que a Igreja de alguns roda à volta de si própria, gasta, com os seus problemas internos, as melhores energias e, em detrimento do Reino, mais dá atenção aos “acréscimos”, que não resistem ao tempo. Construir o Reino de Deus, fermento novo na humanidade, é o grande e apaixonante projecto de Jesus Cristo. Foi esse projecto que legou à Igreja e lhe pediu lhe fosse fiel. Os interpelados por acontecimentos da vida que afectam o agir da Igreja, juram fidelidade ao Vaticano II. Já lá vão mais de quarenta anos, tempo suficiente para amadurecer orientações e lhes dar vida. Porém, não podemos esquecer que são já muitos os padres, leigos e consagrados que do Vaticano II apenas ouviram falar e os seus documentos são um livro volumoso, ao lado de outros, que o pó vai cobrindo. Sente-se, aqui e ali, ao arrepio do Concílio, um agir pastoral e uma vida comunitária, que pouco tem a ver com as intuições e orientações conciliares. Recebemos um património conciliar que nos honra e responsabiliza. Ele está vivo, mas só se for posto em prática.
(Por D. António Marcelino in Correio do Vouga)
Novas tecnologias para anunciar o Evangelho

Bento XVI falou esta Quinta-feira de uma “verdadeira revolução” no âmbito das Comunicações Sociais, considerando que as novas tecnologias colocam sérios desafios à Igreja Católica.
“As grandes mudanças sociais que aconteceram nos últimos 20 anos solicitam e continuam a solicitar uma análise atenta sobre a presença e a acção da Igreja” no campo mediático, disse.
O Papa dirigia-se aos participantes na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, que reuniu esta semana no Vaticano.
“Nestes dias, estivestes a reflectir sobre as novas tecnologias da comunicação. Mesmo um observador pouco atento pode facilmente constatar que no nosso tempo, graças às mais modernas tecnologias, está a acontecer uma verdadeira revolução no âmbito das comunicações sociais, da qual a Igreja Católica vai tomando cada vez mais uma consciência responsável”, afirmou.
Para Bento XVI, estas tecnologias “tornam possível uma comunicação veloz” e uma ampla partilha de “ideias e opiniões”, facilitando a aquisição de notícias de “forma capilar e acessível a todos”.
“A cultura moderna, com efeito, brota – mesmo antes dos conteúdos – da própria existência de novos modos de comunicar que utilizam linguagens novas, servindo-se de novas técnicas e criando novas relações psicológicas”, observou.
O Papa declarou que “tudo isto constitui um desafio para a Igreja, chamada a anunciar o Evangelho aos homens do terceiro milénio, mantendo os conteúdos inalterados, mas tornando-o compreensível graças também aos instrumentos e modalidades adequados à mentalidade e à cultura de hoje”.
“Os meios de comunicação social assumiram hoje potencialidades e funções que seriam dificilmente imagináveis”, prosseguiu.
Bento XVI precisou que “o carácter multimédia e a interactividade estrutural dos novos media diminuiu, de certo modo, a especificidade de cada um deles, gerando gradualmente um espécie de sistema global de comunicação”.
Neste contexto, convidou os que na Igreja trabalham no âmbito da comunicação a “saber recolher os desafios que estas novas tecnologias colocam à evangelização”.
“As características dos novos meios tornam possível, em larga escala e à dimensão global que assumiu, uma acção de consulta, de partilha e de coordenação que, para além de incrementar uma eficaz difusão da mensagem evangélica, evita uma inútil dispersão de forças e recursos”, apontou.
(Tirado da Agência ECCLESIA)

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Críticas de Saramago
mostram que não compreende a Bíblia



Polémica despoletada pelo Nobel português pode ser oportunidade para valorizar a cultura bíblica

A polémica despoletada pelas declarações de José Saramago a respeito da Bíblia, que classificou como “um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade” deve levar a Igreja Católica a valorizar a cultura Bíblica e combater a ignorância a respeito desse texto fundamental.
Em declarações à Agência ECCLESIA, D. Manuel Clemente, Bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal responsável pela área da cultura, indica que "uma personalidade como José Saramago, que tem mérito literário inegável, deveria ser mais rigoroso quanto fala da Bíblia, porque não se pode dizer dos factos e dos autores bíblicos o que Saramago diz”.
O Bispo do Porto afirma que “bastaria ler a introdução a qualquer livro da Bíblia, nomeadamente o Génesis, para saber que são leituras religiosas acerca do história de Israel”, depois recolhidas como” história bíblica para todos os cristãos e todos os crentes”.
D. Manuel Clemente diz que Saramago utilizou um discurso de “tipo ideológico, não histórico nem científico” e revela uma “ingenuidade confrangedora” quando faz incursões bíblicas.
Já o Pe. Manuel Morujão, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), lamenta a “superficialidade” com que Saramago se debruçou sobre a Bíblia, considerando que “entrar num género de ofensa não fica bem a ninguém”, sobretudo a quem tem um estatuto de prémio Nobel da Literatura.
“Uma crítica não deve ser uma ofensa, deve ser feita com respeito e humildade. Há aqui um claro exagero, que não gostávamos de ver nele (José Saramago, ndr)”, acrescenta, antes de considerar que as afirmações do Nobel da Literatura “ferem os sentimentos” de mais de 2 mil milhões de crentes.
Para o biblista português Fernando Ventura, Capuchinho, José Saramago tem a exigência intelectual de se informar antes de escrever.
“A Bíblia pode ser lida por alguém que não tem fé, mas supõe alguma honestidade intelectual de quem o lê”, afirmou, acusando Saramago de “uma falta gigantesca” dessa honestidade.
Mais grave, acrescenta o Pe. Ventura, é o desconhecimento “do que são géneros literários” ou do lugar do “mito” na literatura, o que considera especialmente negativo num escritor, que se debruçou “sobre um âmbito que não domina”.
“Não saber situar o texto no contexto é imperdoável para um escritor”, atira.
O biblista espera que esta polémica sirva como “provocação” para que os católicos se questionem sobre a melhor maneira de responder a um “golpe publicitário” que atinge um meio marcado por uma “atroz ignorância bíblica”.
Apesar de admitir a ignorância de muitos católicos em relação à Bíblia, o Pe. Manuel Morujão diz que um escritor da craveira de José Saramago tem mais responsabilidades do que o cidadão comum. Para o secretário da CEP, o “estatuto Nobel” não lhe dá o direito de entrar em campos que “não conhece suficientemente”.
“A Bíblia, que tem 72 livros, tem de ser interpretada na diversidade dos géneros literários”, aponta.
Este responsável diz mesmo que esperava “mais” do prémio Nobel, “independentemente da sua ideologia”, e recomenda “humildade” nas opiniões, para que estas não se apresentem como “pseudodogmas”.
O Pe. Manuel Morujão conclui desejando que se promova “muito mais a cultura bíblica” e o conhecimento de um texto em que “Jesus até manda amar os inimigos”.
Publicado in "Agência Ecclesia"

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Vaticano abre portas a anglicanos descontentes

Esta notícia é da Agência "ECCLESIA" e vem cnfirmar o que há bastante tempo se vinha a dizer àcerca do mal-estar de muitos bispos clérigos e fiéis anglicanos, sobretudo a partir da abertura da Igreja de Sua Magestade ao sacerdócio feminino e mais recentemente à ordenação de homosexuais.
Segue a notícia completa da Agência "Ecclésia"

"Bento XVI vai publicar uma constituição apostólica para responder aos “numerosos pedidos” de grupos de clérigos e fiéis anglicanos que desejam “entrar em comunhão plena e visível” com Roma.
Segundo anuncia o site oficial do Vaticano, numa nota informativa da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), o novo documento introduz uma estrutura canónica que permite esse “regresso” à Igreja Católica através da instituição de “ordinariatos pessoais”. Esta solução permite que os fiéis conservem “elementos do seu património espiritual e litúrgico” anglicano.
Numa declaração conjunta assinada pelo Arcebispo de Westminster (católico) e pelo Arcebispo da Cantuária (Primaz da Igreja Anglicana) refere-se que o anúncio desta constituição apostólica “termina um tempo de incerteza para os grupos que nutriam esperanças em novas formas de abraçar a unidade com a Igreja Católica”.
A declaração assegura que ambas as partes estão empenhadas em prosseguir um “compromisso comum” e a reforçar a consulta sobre “estas e outras matérias”.
“Esta cooperação irá continuar ao mesmo tempo que crescemos juntos na unidade e na missão, testemunhando o Evangelho no nosso país”, referem católicos e anglicanos da Inglaterra.
Segundo o teor da Constituição Apostólica que o Papa irá publicar, a vigilância e a condução pastoral para os grupos de fiéis que peçam a entrada na Igreja Católica será assegurada por um ordinário próprio - aquele que é colocado à frente da comunidade -, por norma nomeado de entre o clero até então anglicano.
Este modelo prevê a ordenação de clérigos casados enquanto anglicanos como sacerdotes católicos. Por “razões históricas e ecuménicas”, estes padres casados não poderão ser ordenados Bispos.
Para o Cardeal William Levada, prefeito da CDF, a intenção é ir ao encontro, “de modo unitário e justo, dos pedidos de uma plena união que foram submetidos da parte de fiéis anglicanos provenientes de várias partes do mundo, nos anos mais recentes”.
Os ordinariatos pessoais serão instituídos “segundo as necessidades”, com prévia consulta às Conferências Episcopais locais, e as suas estruturas serão de algum modo semelhantes às dos ordinariatos militares - uma "diocese" que não corresponde a limites territoriais, como é habitual na Igreja Católica, mas tem jurisdição sobre uma comunidade específica distribuída por vários territórios.
“Os anglicanos que fizeram contactos com a Santa Sé expressaram claramente o seu desejo de uma plena e visível comunhão na Igreja una, santa, católica e apostólica. Ao mesmo tempo, falaram da importância das suas tradições anglicanas relativas à espiritualidade e ao culto para o seu próprio caminho de fé”, afirmou o Cardeal Levada.
Segundo o prefeito da CDF, Bento XVI espera que os clérigos e fiéis anglicanos desejosos de união com a Igreja Católica “encontrem nesta estrutura canónica a oportunidade de preservar as tradições anglicanas que lhes sejam preciosas e estejam em conformidade com a fé católica”.
Desde o século XVI, quando o Rei Henrique VIII declarou a independência em relação à autoridade do Papa, a Igreja da Inglaterra criou confissões doutrinais, usos litúrgicos e práticas pastorais próprias.
Desde o Concílio Vaticano II, as relações entre anglicanos e católicos criaram um clima de compreensão e cooperação mútua, mas o caminho ecuménico encontrou novas dificuldades quando alguns anglicanos começaram a admitir mulheres ao sacerdócio e ao episcopado. Mais recentemente, segmentos da Comunhão Anglicana ordenaram clérigos homossexuais e abençoaram uniões entre pessoas do mesmo sexo, reforçando essas dificuldades e aumentando o descontentamento de alguns sectores do próprio mundo anglicano, que se podem agora virar para Roma.
Segundo o Cardeal Levada, entre 20 a 30 bispos anglicanos e centenas de grupos de fiéis estariam interessados em fazer parte da Igreja Católica."

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

O que é um cristão cultural?

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domingo, 4 de Outubro de 2009

Conflito de éticas atravessa a sociedade

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Vaticano quer padres no mundo digital

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segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Resultado eleitoral e perspectivas de futuro

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segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

VI Simpósio do Clero de Portugal - Conclusões

Para todos os que não tiveram a graça de participar no VI Simpósio do Clero de Portugal, aqui vão as Conclusões

1.- O clero de Portugal deu uma resposta muito positiva ao convite para participar no VI Simpósio do clero. Mais de 800 inscrições são o melhor testemunho de uma forte adesão, alegre e agradecida, também por coincidir em pleno Ano Sacerdotal e sob o olhar da figura exemplar de sacerdote que foi São João Maria Vianey.

2.- Conferencistas prestigiados e de renome internacional garantiram a elevada qualidade da reflexão e a pertinência dos desafios lançados.

3.- O Simpósio foi, em si mesmo, um belo exercício de fraternidade e de comunhão entre bispos, sacerdotes, diáconos e seminaristas.

4.- Todos os oradores glosaram, em registos vários, mas consonantes, o tema-lema do Simpósio: «Reaviva o dom que há em ti».

5.- Anselmo Grün e Amadeo Cencini, com a sua autoridade de psicólogos, recordaram-nos que a espiritualidade não é redutível à psicologia, mas que uma espiritualidade não assente em correctas bases psicológicas, facilmente se transforma em moralismo vazio e autoritário.

6.- As pessoas não se seduzem nem se cativam verdadeiramente com a acomodação do Evangelho aos seus desejos e gostos pessoais. Só quando o sacerdote se deixou, primeiro, seduzir no encontro pessoal com Cristo, poderá falar de tal maneira que as pessoas o descobrem possuído de uma luz e beleza que ele mesmo desconhece. Como Moisés, depois de falar com Deus.

7.- O sacerdote não é um anjo. Junto com qualidades e luzes, tem defeitos e sombras. Só reconhecendo humildemente também as sombras se poderá abrir ao Amor que o plenifica, transforma e transfigura.

8.- A formação sacerdotal ou é permanente ou não é verdadeira formação sacerdotal.
O Senhor é fiel. Ao chamar sempre aquele que escolheu, não pára de o chamar todos os dias da sua vida. A Formação Permanente é a experiência de vocação permanente, como resposta agradecida e repleta de fidelidade ao Deus que ama e chama.

9.- Esta autêntica mudança de paradigma na concepção de formação permanente implica que se crie uma cultura de formação permanente na Igreja, pois ainda não existe.
A nossa vida, ou é formação permanente, ou é frustração permanente, repetitividade, desleixo geral, inércia, apatia, perda de credibilidade, ineficácia apostólica.

10.- A Formação Permanente é essencialmente psicológico-espiritual; um processo de conformação-assimilação aos sentimentos do Filho obediente, do Servo sofredor, do Cordeiro inocente.

11.- Não se trata tanto de criar novas estruturas, mas de uma nova mentalidade, uma cultura de Formação Permanente.

12.-A Formação Permanente é a disponibilidade contínua e inteligente, activa e passiva, para aprender da vida, durante toda a vida. Até ao último dia.

13.- Como nos disse o cardeal Cláudio Hummes: «a espiritualidade do presbítero deve ser nutrida cada dia. Os grandes meios são: manter um contacto assíduo com a Palavra de Deus; amar a Deus e deixar-se amar por Ele; viver uma vida de oração autêntica que inclui a Liturgia das Horas e a devoção mariana; celebrar diariamente a Eucaristia, como centro da vida ministerial; recorrer regularmente ao Sacramento da Confissão; viver a comunhão eclesial, principalmente com o Papa, o bispo e o presbitério; doar-se total e incansavelmente ao ministério pastoral, ao empenho missionário e evangelizador; ser o homem da caridade, da fraternidade e da bondade, do perdão, da misericórdia para com todos; ser solidário com os pobres, sendo seu defensor e amigo, vendo neles os preferidos de Deus».

14.- Uma atenção cuidada aos vários programas de formação dos seminários levar-nos-á à opção pelo modelo de integração, polarizado no dinamismo da Cruz como ícone do Mistério Pascal, onde o amor entregado nos convida incessantemente, iluminando-nos e aquecendo-nos, a recebermos agradecidos o dom que a vida sacerdotal é, e a oferecermo-la alegremente como dom.

15.- Este Modelo de Integração fará que nos sintamos abençoados por Deus e ajudar-nos-á a tornarmo-nos uma feliz bênção para os outros.
Uma vida espiritual intensa, iluminada pelo guia fiável que é o Vaticano II, permitirá ao sacerdote entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias, mesmo difíceis e obscuras. (SC, 89)

16.- Os caminhos a percorrer para a Igreja responder aos novos desafios do mundo de hoje não estão ainda bem definidos e traçados. Temos de utilizar a lucidez na análise do que se apresenta, e a paciência misericordiosa para enfrentar as incompreensões.

17.- Foi bom ouvir que a Igreja ama os seus sacerdotes, os admira e reconhece a sua insubstituível e incansável participação pastoral na missão e na vida eclesiais.

18.- E que, à semelhança de São Francisco, encontrando no caminho um sacerdote e um anjo, saudaria primeiro o sacerdote, mesmo se fosse grande pecador, porque o sacerdote é quem nos dá o pão eucarístico.

19.- O Santo Cura D’Ars reconforta-nos ainda mais ao afirmar: «Deus obedece-lhes. Depois de Deus, o sacerdote é tudo».
Ser padre é viver todos os dias a Consagração: consagrando as espécies eucarísticas e consagrando-se aos irmãos, outra forma de dizer, já há mais de 150 anos, a urgência do que hoje chamamos Formação Permanente.

20.- Os padres das várias dioceses reuniram com os seus bispos e manifestaram a alegria de participar no Simpósio, mutuamente se incentivando para encontrar formas de cultivo da fraternidade nos presbitérios.

21.- Como bem recorda Bento XVI: «É preciso sempre partir de Cristo. Mas isso supõe tê-lo encontrado, ter-se deixado por Ele transformar inteiramente, ou seja, ter-se tornado seu discípulo fiel. Tudo começa ali. Encontrar-se com Cristo e deixar-se por ele transformar»

Só assim reavivaremos continuamente o dom que há em nós, e responderemos gozosamente ao desafio incessantemente renovado de o oferecer aos outros, porque do povo de Deus vimos e só para o servir existimos.

Fátima, 4 de Setembro de 2009

sábado, 22 de Agosto de 2009

Deus é HUMOR

Viver um cristianismo com piada

O cristianismo não é propriamente conhecido por ser a religião da alegria, e é uma pena

Se dissermos que Deus é Amor, ninguém se espanta. A afirmação tornou-se até um pouco banal à força da repetição. Mas se dissermos que Deus é Humor, ficamos em estado de alerta, porque nos parece que alguém está a tentar entrar, no território de Deus, "pela entrada dos fundos" e não pela "porta principal". A verdade é que o Amor não dispensa o Humor.

O cristianismo não é propriamente conhecido por ser a religião da alegria, e é uma pena. «O cristianismo seria muito mais credível se os cristãos vivessem em alegria», escreveu Nietzsche, e não podemos dizer que sem razão. O nosso testemunho fica muitas vezes refém de uma gravitas insonsa. Esquecemos demasiado o Evangelho da alegria que arrisca-se a tornar uma espécie de tópico marginal.

Por exemplo, quando citamos uma frase bíblica, raramente ela diz respeito à alegria. E, no entanto, a Bíblia é uma espécie de gramática do Humor de Deus. Por incrível que pareça, aquela biblioteca tão séria é também hilariante e está cheia de risos, embora esta dimensão seja, entre nós, escassamente referida. Há páginas que constituem um puro alfabeto da Alegria e muitos momentos que só são compreendidos por quem arriscar sorrir. É que a Revelação de Deus propaga-se numa dinâmica que é claramente jubilosa. Talvez tenhamos de levar mais a sério o verso brincado que o Salmo 2 nos segreda: «O que habita nos Céus, sorri». Ou perceber que a expressão crente é chamada a desenvolver-se como uma coreografia festiva, à maneira do que descreve o Salmo 33: «Alegrai-vos no Senhor, louvai o Senhor com cítaras e poemas, com a harpa das dez cordas louvai o Senhor; cantai-lhe um cântico novo, tocai e dançai com arte por entre aclamações».

O humor abre espaço  nas nossas vidas à surpresa. Rimo-nos porque, sem esperarmos, uma palavra cheia de graça vem ao nosso encontro. Na verdade, também a Fé não é, de todo, uma experiência previsível, um mapa prévio muito detalhado, mas uma abertura  ao inesperado de Deus  que nos convoca...   

José Tolentino Mendonça



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P.e Martins

terça-feira, 30 de Junho de 2009

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=70717

terça-feira, 16 de Junho de 2009

Bispos Portugueses reflectem Pastoral Sócio-caritativa

Jornadas Pastorais em Fátima decorrem de 15 a 18 de Junho

Os bispos portugueses vão estar esta semana reunidos em Fátima nas Jornadas Pastorais da Conferência Episcopal Portuguesa. Num ano profundamente marcado pela crise económica e financeira, e na sequência do Simpósio «Reinventar a Solidariedade (em tempo de crise)» que a CEP realizou a 15 de Maio, os bispos portugueses querem aprofundar a reflexão e por isso, vão centrar-se no tema «Pastoral sócio-caritativa: Novos problemas, novos caminhos de acção».

Um comunicado enviado à Agência ECCLESISA dá conta que, para além dos bispos portugueses, estarão presentes dois delegados de cada diocese, "particularmente responsabilizados no campo da pastoral social".

A jornada que começa na tarde desta Segunda-feira e termina no dia 18, Quinta-feira pelas 14 horas, vai contar com a ajuda de "alguns professores da Universidade Católica Portuguesa", do Secretário da Comissão de Assuntos Sociais da Conferência Episcopal Francesa, o Pe. Jacques Turck, entre outras individualidades.

O mesmo comunicado aponta que as conclusões das Jornadas serão apresentadas à comunicação social na tarde de Quinta-feira, às 14 horas. O Pe. Manuel Morujão, porta-voz da CEP afiram ainda que "eventualmente serão abordados alguns pontos da breve Assembleia Plenária dos Bispos que terá lugar na manhã do dia 18".

Na conferência de imprensa estará presente D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP, o Vice-presidente, D. António Marto, o Pe. Manuel Morujão, secretário da CEP e ainda D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social.


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P.e Martins

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Simpósio sobre S. Paulo em Coimbra

No passado Sábado, dia 6 de Junho, celebrando o Dia da Igreja Diocesana, sempre celebrado na Solenidade da Santíssima Trindade, mas, antecipado este ano, para a véspera por causa das eleições para o Parlamento Europeu, realizou-se o anunciado simpósio sobre S. Paulo, encerrando, assim, também o Ano Paulino.
O simpósio decorreu no anfiteatro do ISEC, Coimbra e intervieram vários especialistas na matéria sobre o tema “S. Paulo e a Evangelização para o Mundo de hoje”.
O 1º orador, Doutor José Carlos Carvalho, comparou a Igreja de hoje à da época de S. Paulo, afirmando que também hoje como então os cidadãos “têm à venda” muitos deuses. Os “supermercados religiosos” encontram-se recheados de toda a espécie de produtos. Para o conferencista, a Igreja tem que saber “remar contra a maré”, à semelhança de S. Paulo. A pluralidade de religiões, de culturas e de costumes não são motivo de resignação mas desafio para descobrir o melhor modo de anunciar o Salvador. À semelhança de S. Paulo que soube usar muito bem a retórica, aliada ao conhecimento profundo das Sagradas Escrituras e do cristianismo, também a Igreja tem de saber falar ao mundo.
O 2º orador, Doutor Juan Ambrósio, dando seguimento à temática, referiu que “Paulo aprendeu com os melhores mestres a arte da retórica, consistindo em utilizar os mesmos argumentos dos seus adversários para propor a nova doutrina” e em Jerusalém, na escola de Gamaliel, estudou o Judaísmo, as suas leis e os seus costumes, tornando-se, assim, o convicto e eficaz opositor e perseguidor dos cristãos, até ao célebre episódio de Damasco que operou a radical transformação de S. Paulo. Transformação essa que não se dá de um momento para o outro, como poderia parecer, da leitura apressada dos Actos dos Apóstolos, mas por um processo que vai demorar cerca de três anos. O episódio de Damasco vai ser para S. Paulo o marco e a referência constante na pregação e nas cartas, até para legitimar a sua missão, o seu apostolado e as suas tomadas de posição, em confronto com S. Pedro e os outros Apóstolos, relativamente à exigência ou não da circuncisão para se tornar cristão. O orador chega a dizer que se não tivesse existido Damasco não seríamos hoje cristãos, mas “não passaríamos de uma sensibilidade dentro do judaísmo”.
Com esta introdução, o orador passou a falar do tema “Do Encontro Pessoal à Construção da Comunidade”. Afirmou que “para Paulo, anunciar o Ressuscitado era criar comunidades porque a experiência dele em Damasco foi essa”. A sua transformação dá-se na comunidade de Damasco. “A vida em comunidade, é o próprio exercício da vida cristã porque não há outra maneira de encontrar o ressuscitado se não criar comunidades”. “Não há experiência cristã sem comunidades”. Sobre os caminhos de evangelização para o mundo de hoje, “não temos que agradar ao mundo. Temos que ter capacidade para escutar e falar ao mundo de modo a interpelá-lo”.
Depois do almoço, em mesa redonda, falaram os Doutores José Carlos Seabra Pereira e Alexandre Franco de Sá, ambos da Universidade de Coimbra.
Para o 1º, S. Paulo é alguém que domina a cultura e interage com as diversas culturas. À interpelação sobre como deveríamos evangelizar hoje, o orador responde que é apresentando uma fé à maneira de S. Paulo, evangelizar no multiculturalismo, ou seja, o cristão não pode ter medo do confronto ou bom combate, como ele próprio dizia, na variedade das culturas. Complementando, o 2º orador disse que a “fé se manifesta pelas obras”, na arte, na acção caritativa, numa palavra, pelo testemunho. “No seio da Igreja é importante a confrontação, o debate de ideias”.
O simpósio terminou com a celebração da Eucaristia, presidida por D. Albino Cleto. Nas suas palavras, perante cerca de duas centenas de participantes, recordou algumas actividades realizadas na Diocese, nomeadamente a de Oliveira do Hospital, consistindo na passagem do ícone de S. Paulo pelas diversas paróquias do Arciprestado, o que também se fez noutros lados, as peregrinações diocesanas aos caminhos de S. Paulo, as várias reflexões dos grupos paroquiais, do ISET, do Instituto Justiça e Paz, etc. Pediu que tudo o que se aprendeu, ao longo do ano, sobre S. Paulo, se ponha agora em prática.
O senhor Bispo deixou a mensagem que “este tempo sem tempo”, como tinha dito o orador anterior, é o “tempo de ir e fazer discípulos”. Por isso, ninguém pode ter medo do confronto. “Ser cristão hoje, é ser testemunha, ser apóstolo e não apenas frequentador de supermercados religiosos”.

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Fwd:

E que tal para para todos os dias mas particularmente para um final de semana?!...

Um abraço amigo do Martins
Caminheiro da Esperança

Caminheiro da Esperança,
Onde vais, por que insistes,
Uma vez que não alcanças
Os limites do infinito?
Por que teimas em sonhar,
Um oásis alcançar,
Neste deserto maldito?

Eu sou, sim, um caminheiro
Da esperança, verdadeiro
Sonhador, pleno de fé.
Busco o sol, busco o luar,
Busco as entranhas do mar,
Busco o impossível até.

Mais importa o caminhar
Que o porto logo alcançar...

Porque a sabedoria
Do sonhador peregrino
Não consiste em chegar
Depressa a seu destino.
Consiste em querer trilhar,
Na tempestade ou bonança,
As veredas da esperança
E, ainda que ande sozinho,
Em saber apreciar
As belezas do caminho...




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P.e Martins

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Lições de uma eleição pouco europeia

Uma vez mais, a abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu superou a registada há cinco anos. Desde 1979, quando os deputados europeus começaram a ser eleitos por sufrágio directo e universal, as eleições para o PE revelam sucessivas e crescentes taxas de abstenção. Isto, paradoxalmente, tendo os poderes do PE entretanto sido aumentando.
É tempo de encarar esta realidade, que não é conjuntural - é de fundo. Se os cidadãos se desinteressam pelo PE, apesar de todos os esforços de divulgação da importância da instituição, então resta concluir não ser esta a melhor via para promover a democraticidade das instituições comunitárias.
Uma outra solução para aproximar os cidadãos dessas instituições será envolver mais os parlamentos nacionais no processo comunitário de decisão. Quando presidente da Assembleia da República, o Dr. Mota Amaral bateu-se por uma mais forte participação dos parlamentos nacionais na vida da União Europeia. O Tratado de Lisboa dá um passo nesse sentido, ainda tímido (e resta saber se este Tratado algum irá entrar em vigor).
Seja como for, parece absurdo insistir numa solução que ao longo de trinta anos se revelou não atrair os cidadãos europeus. A Europa não se pode construir à revelia das pessoas. Quando se ignora essa evidência, apanham-se surpresas desagradáveis - como as trazidas por referendos em França, na Holanda, na Irlanda...
Como o PE interessa pouco às pessoas, nas eleições europeias - por cá como nos outros países da União - debatem-se sobretudo temas de política nacional. Pela primeira vez o PS cedeu face ao descontentamento. Que este era grande, sabia-se há anos. Mas o PS aparecia sempre à frente do PSD nas sondagens. Agora, abre-se a possibilidade de o PSD vir a disputar o primeiro lugar nas legislativas, em Setembro/Outubro. Manuela Ferreira Leite reforçou a sua posição como líder do partido e este ganhou um excelente político: Paulo Rangel. Em contrapartida, à esquerda o Bloco e o PC somados ultrapassam os 21%, mostrando que o PS perdeu votos para a direita e para a esquerda. Não é corrente na Europa um tal peso da extrema-esquerda. Note-se, ainda, que os votos brancos e nulos representaram nesta eleição quase 7% - um eloquente voto de protesto contra o PS.
Entre os pequenos partidos, destaque para o resultado obtido por um estreante, o Movimento Esperança Portugal: perto de 53 mil votos, 1,5% do total. Sabendo-se como é difícil criar partidos novos, esta votação no MEP mostra que, apesar de tudo, o sistema partidário português não está completamente fechado.
Uma palavra sobre as sondagens: falharam em toda a linha. Raras foram as que previram que o PSD ficasse à frente nas europeias. Também aí há um défice de credibilidade que seria saudável eliminar.
A nível europeu os partidos de centro-direita reforçaram as suas posições, enquanto os socialistas perderam votos. Assim, Durão Barroso tem a via desimpedida para um novo mandato à frente da Comissão Europeia. Mas é curioso que o centro-esquerda desça em plena crise do chamado neo-liberalismo, quando toda a gente está contra a sacralização do mercado e se reclama a intervenção do Estado para salvar empresas. Francisco Sarsfield Cabral em Agência Ecclesia
Trindade no ADN humano e do universo

Bento XVI disse este Domingo que a Santíssima Trindade está presente no “genoma” humano e no universo.
Falando no Vaticano, perante os peregrinos de todo o mundo reunidos na Praça de São Pedro para a recitação do Angelus, o Papa disse que “Deus é todo amor, só amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive numa esplêndida solidão, mas é – isso sim – fonte inexaurível de vida que incessantemente se doa e se comunica”.
O Papa assinalou que, em certa medida, podemos intuir isso observando tanto o microuniverso dos átomos, das partículas elementares, como o macrouniverso das estrelas e das galáxias.
“Em tudo o que existe está impresso o nome da Santíssima Trindade, porque todo o ser, até à ínfima partícula, é ser-em-relação e assim transparece o Deus-relação, transparece em última análise o Deus-Criador, tudo provém do amor, tudo tende ao amor, tudo se move impulsionado pelo amor, naturalmente com diversos graus de consciência e de liberdade”, precisou.
Recorrendo a uma analogia sugerida pela biologia, o Papa indicou que “no ADN do homem se encontra a marca profunda da Trindade, do Deus-Amor”.
Bento XVI começara por evocar as "três solenidades do Senhor" que a liturgia nos propõe logo depois do Pentecostes: Santíssima Trindade, Corpo de Deus e Sagrado Coração de Jesus. “Cada uma destas ocorrências – observou - sublinha uma perspectiva a partir da qual se abrange todo o mistério da fé cristã: a realidade de Deus Uno e Trino, o Sacramento da Eucaristia e o centro divino-humano da Pessoa de Cristo”.
(Tirado da Agência "ECCLESIA")